Utilizando a fábula postada anteriormente, hoje faremos uma explanação sobre a Caatinga e suas principais características.
O mundo apresenta uma infinidade de seres vivos convivendo e interagindo entre si e com o ambiente físico onde estão inseridos, formando, assim, um ecossistema. Ecossistemas que apresentam características climáticas, bem como de estrutura ou fisionomia vegetal, semelhantes são classificados de Biomas.
A figura abaixo ilustra alguns desses biomas:
A Caatinga é um bioma de savana semi-árida, e assim, apresenta características que a definem como tal.
Se pudermos lembrar-nos da fábula, poderemos identificar algumas delas:
"a caatinga brilhava a luz incandescente do sol"
Ela estende-se de 2o54’ a 17o21’ S (estimada em cerca de 800.000 km2 pelo IBGE 1985) e incluem os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, a maior parte da Paraíba e Pernambuco, sudeste do Piauí, oeste de Alagoas e Sergipe, região norte e central da Bahia e uma faixa estendendo-se em Minas Gerais seguindo o rio São Francisco, juntamente com um enclave no vale seco da região média do rio Jequitinhonha, com a posterior inclusão da ilha de Fernando de Noronha. Por se localizar na faixa intertropical, a incidência dos raios solares é alta quase o ano inteiro, apresentando a mais alta radiação solar, sendo esse um dos fatores que influenciam no clima da Caatinga.
"acostumadas a viver com pouca água"
A natureza semi-árida desta área resulta principalmente da predominância de massas de ar estáveis empurradas para o sudeste pelos ventos Alísios. Dessa forma, apresenta as precipitações mais baixas e irregulares, limitadas, na maior parte da área, a um período muito curto no ano. É a ausência completa de chuvas em alguns anos que caracterizam a região, mais do que a ocorrência local rara de um nível triplo ou duplo de precipitação.
"solo seco, cheio de gravetos e pedras"
Um grande processo de erosão, que aplainou o terreno, ocorreu durante o Terciário superior e Quaternário inferior para descobrir as superfícies atuais de rochas cristalinas do Pré-Cambriano (gnaisses, granitos e xistos), deixando apenas vestígios isolados das superfícies mais jovens e sedimentares por toda a parte da Caatinga. Dessa forma, quase todo o território possui os solos pedregosos e rasos, com a rocha-mãe escassamente decomposta a profundidades exíguas e muitos afloramentos de rochas maciças.
Mandacaru, Jurema e Cardeiro
A caatinga pode ser caracterizada como floresta arbórea ou arbustiva, compreendendo principalmente árvores e arbustos baixos muitos dos quais apresentam espinhos, microfilia e algumas características xerofíticas, ou seja, adaptadas à seca. Como exemplo, temos espécies da família Mimosoideae (“jurema”), e do gênero Cereus (“mandacaru”, “cardeiro”).
Calango, cobra, e preá
Conhecem-se hoje, de localidades com a feição característica da caatinga semiárida, 47 espécies de lagartos, 10 espécies de anfisbenídeos, 52 espécies de serpentes, quatro quelônios, três Crocodylia, 48 anfíbios anuros e três Gymnophiona. Além disso, os roedores registrados em maior número de localidades são o mocó, (Kerodon rupestris) em 32 municípios, a preá (Galea spixii), em 31 e o punaré (Thrichomys apereoides), em 20.
A caatinga ainda é uma das regiões menos estudadas no Brasil, mas não menos fascinante, afinal, são tantos os fatores limitantes de vida e, mesmo assim, ainda existe uma enorme diversidade de seres interagindo e sobrevivendo nessas condições.
A caatinga ainda é uma das regiões menos estudadas no Brasil, mas não menos fascinante, afinal, são tantos os fatores limitantes de vida e, mesmo assim, ainda existe uma enorme diversidade de seres interagindo e sobrevivendo nessas condições.
Referências Bibliográficas
- Leal I. R., Tabarelli, M., da Silva, J. M. C. Ecologia e conservação da caatinga. Recife, PE. Ed. Universitária da UFPE, 2003
- Coutinho, L. M. O conceito de bioma. Acta bot. bras. 20(1): 13-23. 2006.
- Brown, J. H., Lomolino, M. V. Biogeografia. 2ª Ed. Ribeirão Preto, SP. Ed. FUNPEC, 2006.
- Leal I. R., Tabarelli, M., da Silva, J. M. C. Ecologia e conservação da caatinga. Recife, PE. Ed. Universitária da UFPE, 2003
- Coutinho, L. M. O conceito de bioma. Acta bot. bras. 20(1): 13-23. 2006.
- Brown, J. H., Lomolino, M. V. Biogeografia. 2ª Ed. Ribeirão Preto, SP. Ed. FUNPEC, 2006.
A caatinga, por vezes tratada perjorativamente, merece toda a atenção que nós, seres da caatinga, pudermos dispor.
ResponderExcluirVale lembrar que nossa legislação oferta uma proteção bem mais rigorosa a biomas como Mata Atlântica e Amazônia que o qual nos encontramos.
Bela iniciativa!
Futuramente, quero ver posts-denúncias sobre os inúmeros descasos a caatinga sofre.
Abraços.
A caatinga, além da riqueza natural que lhe é peculiar, possui atrelada uma riqueza cultural ligada ao povo nordestino, sendo um verdadeiro patrimônio para essas pessoas, merecendo, por causa desses aspectos um cuidado especial, tanto como os demais biomas do nosso país. Parabéns ao grupo pelo o trabalho!!!
ResponderExcluirMuito Bom o blog.
ResponderExcluirA caatinga é onde estar toda nossa riqueza.
Robson
Laís
ResponderExcluirHavia escrito no outro blog.. reafirmarei o que havia dito.
Gostei bastante da ideia de vocês. E a utilização da fábula como recurso de aprendizagem foi muito interessante. A fábula é um recurso pouco aplicado e, por isso, chama a atenção quando é utilizada. E a conexão dos elementos da história com a explanação científica foi excelente. Vocês uniram o lúdico da fábula ao científico dos artigos utilizados.
Conhecer, Divulgar e Preservar!!!
ResponderExcluirNossas responsabilidades como biólogos da Caatinga!
Como todo bom filho Caatingueiro, luto por ela e viverei por isto!
Conto com o apoio de vocês. Ótimo trabalho!
que dahora estou fasendo um trabalho sobre a caatinga na escola um trbalho de ciencias e peguei o mapa bem legual agradesso por postar essas coisas no site
ResponderExcluiraluna do ayrpicanço sao josé dos campos
Adorei o blog. Gostei bastante da proposta de divulgar conhecimento acerca da Caatinga, pois como o Fernando já falou acima, esse é um dos biomas menos protegidos legalmente do Brasil. Dessa forma iniciativas como essa ajudam à população a ter conhecimento que aqui na Caatinga não existem só cactos e carcaças de boi mortos pela seca como costumamos ver na mídia, aqui tem uma belíssima diversidade de plantas e animais que esperam ainda por pesquisadores para estudá-la e ajudar a preservá-la.
ResponderExcluir"conhecer para preservar" essa frase típica dos pesquisadores da área de conservação. contudo o que sabemos hoje sobre a caatinga é resultado de estudos recentes em uma caatinga bastante modificada, ninguém pode dizer ao certo quantas espécies nativas e até endêmicas se perderam deste a colonização até os primeiros estudos sérios sobre nosso bioma. como já mencionei em um post anterior, gostei muito da fábula escolhida, ela trás elementos que não são conhecidos por muitos estudantes da nossa cidade. talvez essa seja uma maneira de atrai-los a esse tipo de "turismo".
ResponderExcluira
ResponderExcluirAssim como na legislação, a informação existente para outros biomas é muito maior do que para a caatinga, de modo que mesmo os próprios moradores da região não conhecem sua diversidade e ameaças.
ResponderExcluirO mais legal do blog é o diálogo entre os conhecimentos populares e científicos ao expplicar alguns conceitos e personagens da fábula com os conhecimentos científicos. Legal também a valorização da cultura regional através da xilogravura e pra finalizar um vídeo mostrando a diversidade e belezas da região.
Ótimo!