domingo, 28 de março de 2010

A Caatinga na TV

Como vocês puderam ver, a caatinga é um bioma com uma grande diversidade, sendo assim, seria muito óbvio a necessidade de protegê-la, certo?

Entretanto, a caatinga não se apresenta protegida por lei. Talvez, por não ser uma floresta, a qual todos estão acostumados a querer proteger, talvez, por uma certa acomodação nossa, nordestinos, por não lutarmos por maior proteção desse bioma tão interessante.

A caatinga tem sido bastante devastada para extração de madeira para fazer carvão vegetal. Então, vamos tentar protegê-la!

Aqui segue o vídeo de uma reportagem da TV Educativa de Alagoas que fala um pouco sobre caatinga e sobre a preservação dela. Vale a pena conferir!


sábado, 27 de março de 2010

A Caatinga

Utilizando a fábula postada anteriormente, hoje faremos uma explanação sobre a Caatinga e suas principais características.


O mundo apresenta uma infinidade de seres vivos convivendo e interagindo entre si e com o ambiente físico onde estão inseridos, formando, assim, um ecossistema. Ecossistemas que apresentam características climáticas, bem como de estrutura ou fisionomia vegetal, semelhantes são classificados de Biomas.


A figura abaixo ilustra alguns desses biomas:



A Caatinga é um bioma de savana semi-árida, e assim, apresenta características que a definem como tal.
Se pudermos lembrar-nos da fábula, poderemos identificar algumas delas:



















"a caatinga brilhava a luz incandescente do sol"

Ela estende-se de 2o54’ a 17o21’ S (estimada em cerca de 800.000 km2 pelo IBGE 1985) e incluem os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, a maior parte da Paraíba e Pernambuco, sudeste do Piauí, oeste de Alagoas e Sergipe, região norte e central da Bahia e uma faixa estendendo-se em Minas Gerais seguindo o rio São Francisco, juntamente com um enclave no vale seco da região média do rio Jequitinhonha, com a posterior inclusão da ilha de Fernando de Noronha. Por se localizar na faixa intertropical, a incidência dos raios solares é alta quase o ano inteiro, apresentando a mais alta radiação solar, sendo esse um dos fatores que influenciam no clima da Caatinga.

"acostumadas a viver com pouca água"

A natureza semi-árida desta área resulta principalmente da predominância de massas de ar estáveis empurradas para o sudeste pelos ventos Alísios. Dessa forma, apresenta as precipitações mais baixas e irregulares, limitadas, na maior parte da área, a um período muito curto no ano. É a ausência completa de chuvas em alguns anos que caracterizam a região, mais do que a ocorrência local rara de um nível triplo ou duplo de precipitação.

"solo seco, cheio de gravetos e pedras"

Um grande processo de erosão, que aplainou o terreno, ocorreu durante o Terciário superior e Quaternário inferior para descobrir as superfícies atuais de rochas cristalinas do Pré-Cambriano (gnaisses, granitos e xistos), deixando apenas vestígios isolados das superfícies mais jovens e sedimentares por toda a parte da Caatinga. Dessa forma, quase todo o território possui os solos pedregosos e rasos, com a rocha-mãe escassamente decomposta a profundidades exíguas e muitos afloramentos de rochas maciças.

Mandacaru, Jurema e Cardeiro

A caatinga pode ser caracterizada como floresta arbórea ou arbustiva, compreendendo principalmente árvores e arbustos baixos muitos dos quais apresentam espinhos, microfilia e algumas características xerofíticas, ou seja, adaptadas à seca. Como exemplo, temos espécies da família Mimosoideae (“jurema”), e do gênero Cereus (“mandacaru”, “cardeiro”).

Calango, cobra, e preá

Conhecem-se hoje, de localidades com a feição característica da caatinga semiárida, 47 espécies de lagartos, 10 espécies de anfisbenídeos, 52 espécies de serpentes, quatro quelônios, três Crocodylia, 48 anfíbios anuros e três Gymnophiona. Além disso, os roedores registrados em maior número de localidades são o mocó, (Kerodon rupestris) em 32 municípios, a preá (Galea spixii), em 31 e o punaré (Thrichomys apereoides), em 20.

A caatinga ainda é uma das regiões menos estudadas no Brasil, mas não menos fascinante, afinal, são tantos os fatores limitantes de vida e, mesmo assim, ainda existe uma enorme diversidade de seres interagindo e sobrevivendo nessas condições.

Referências Bibliográficas
- Leal I. R., Tabarelli, M., da Silva, J. M. C. Ecologia e conservação da caatinga. Recife, PE. Ed. Universitária da UFPE, 2003
- Coutinho, L. M. O conceito de bioma. Acta bot. bras. 20(1): 13-23. 2006.
- Brown, J. H., Lomolino, M. V. Biogeografia. 2ª Ed. Ribeirão Preto, SP. Ed. FUNPEC, 2006.

Boas-Vindas

Sejam bem-vindos a esse novo projeto que tem como objetivo, antes de tudo, o estudo da Biologia. Usaremos a Caatinga como pano de fundo para a aquisição desse conhecimento, portanto, segue abaixo uma pequena fábula sobre ela...

Aconteceu na Caatinga














Era meio-dia e a caatinga brilhava à luz incandescente do Sol. O pequeno Calango deslizou rápido sobre o solo seco, cheio de gravetos e pedras, parando na frente do majestoso Mandacaru, que apontava para o céu seus espinhos, os grandes braços abertos em cruz.
- Mandacaru! Mandacaru! Eu ouvi os homens conversando lá adiante e eles estavam dizendo que, como a caatinga está muito seca e cor de cinza, vão trazer do estrangeiro umas árvores que ficam sempre verdes quando crescem e estão sempre cheias de folhas.
- Mas que novidade é essa? - falou a Jurema.
- Coisa de gente besta - disse o Cardeiro, fazendo um muxoxo irritado e atirando espinhos para todo lado.
- Eu é que não acredito nessas novidades - sussurrou o pequeno e tímido Preá.
A velha Cobra, cheia de escamas de vidro e da idade do mundo, só fez balançar a cabeça de um lado para o outro e, como se achasse que não valia a pena falar, ficou em silêncio.
E no outro dia, bem cedinho, os homens já haviam plantado centenas de arvorezinhas muito agitadas, serelepes e faceiras, que falavam todas ao mesmo tempo na língua lá delas, reclamando de tudo: do Sol, da poeira, dos bichos e das plantas nativas, que elas achavam pobres, feias e espinhentas. Enquanto falavam, farfalhavam e balançavam os pequenos galhos, que iam crescendo, ganhando folhas e ficando cada vez mais fortes.
Enquanto isso, as plantas da caatinga, acostumadas a viver com pouca água, começaram a notar que essa água estava cada vez mais difícil de encontrar. As raízes do Mandacaru, da Jurema e do Cardeiro cavavam, cavavam e só encontravam a terra seca e esturricada.
O Calango então se reuniu com os outros bichos e plantas para encontrar uma solução. E foi a velha Cobra quem matou a charada:
- Quem está causando a seca são essas plantinhas importadas e metidas a besta! Eu me arrastei por debaixo da terra e vi o que elas fazem: bebem toda a nossa água e não deixam nada para a gente.
- Oxente! - gritou o Calango. - Então vou contar isso aos homens e pedir uma solução.
Mas logo o Calango voltou, triste e decepcionado.
- Os homens não me deram atenção - disse. - Falaram que eu não tenho instrução, não fiz universidade e que eu estou atrapalhando o progresso da caatinga.
E todos os bichos e plantas ficaram tristes, mas estavam com tanta sede que nem sequer puderam chorar: não havia água para fabricar as lágrimas. Por muitos dias ficaram assim e quando estavam à beira da morte houve um movimento: era o Preá, que levantou o narizinho, farejou o ar e, esquecendo a timidez, gritou:
- Estou sentindo cheiro de água!
- É mesmo! - gritaram todos.
- O que será que aconteceu? - perguntou a Jurema.
- Eu vou ver o que foi - e o Calango saiu veloz, espalhando poeira para todos os lados. O Mandacaru estirou os braços, espreguiçou-se e sorriu:
- Estou recebendo água de novo! Hum... É muito bom! Mas vejam! O Calango está de volta com novidades!
E espichando meio palmo de língua de fora, morto de cansado pela carreira, o Calango contou tudo.
- As pequenas bandidas verdes, depois de beber quase toda a água da caatinga, estavam ameaçando a água dos rios e dos açudes perto das cidades. Os homens então viram o perigo e deram fim a todas elas. Estamos salvos!
E todos ficaram alegres, sentindo a água subir pelas raízes. Olharam para o céu azul da caatinga, aquele céu claro, o Sol brilhante, olharam uns para os outros e viram que eram irmãos, na mesma natureza, no mesmo tempo, na mesma Terra. E a velha Cobra, desenroscando-se toda lentamente, piscou o olho e concluiu:
- É como dizia minha avó: cada macaco no seu galho!
Conto de Clotilde Tavares
Ilustrado por Flavio Morais